terça-feira, 1 de maio de 2012

Silenciando você


Talvez eu fique calada e não diga nada. Aguardando o fim, o abandono e depois permaneça estendida por um tempo até que eu veja algo que me levante de novo.  Mas calada, sem pedir socorro, sem dizer onde dói ou porque dói, só pra continuar mostrando que eu ainda consigo ser auto-suficiente, exalando meu orgulho e covardia.
Ou talvez eu (me)surpreenda e te diga tudo, do inicio ao fim, com detalhes que eu tenho escondido de você há muito tempo. Os detalhes seus que eu gravei tão dentro de mim que podem ter virado uma caixa de pandora, muitos males se encontrando lá. Os males de gostar de uma forma tão intensa de você que pode me abater. Por isso ainda guardo, afinal, acho que nem você esteja preparado pra ouvir o barulho que a caixa vai fazer quando se abrir.
Porque eu tô te querendo cada vez mais e mais, me nutri de cada palavra sua, cada sinal que eu me prometi nunca mais enxergar. Mas agora você está indo cada vez mais longe de mim, todas as maiores chances que eu tinha parecem estar correndo enquanto eu as persigo com o meu caminhar mais lento, já que me falta otimismo pra ser mais rápida.     
E continuo sem te contar nada, fingindo que está tudo bem se você for e me deixar sem ao menos se despedir. Aguardando o fim, vendo você ir. Emudeço. Silencio você em mim. 

 fonte da imagem: http://weheartit.com/

domingo, 22 de abril de 2012

Apego - Por Gabito Nunes

“Ainda não contei de você a ninguém. Acho meio arriscado ou, quem sabe, mera superstição. Eu sei que as pessoas vão me pedir cuidado. Assim me guiei por uma vida toda e foi exatamente isso que hoje me faz uma pessoa contando uma história de amor sem nunca ter protagonizado uma. De um jeito ou de outro, sempre soube que pegar leve era uma forma de me manter todas as minhas metades comigo mesma, até então sem saber pra quê servia isso.
[...]

É cedo pra dizer, ou tarde demais pra fugir. Talvez você seja um cachorro-cínico-egoísta apenas sendo gentil-romântico-atencioso só pra me enganar na sua cama. Mas se não for você, será outro qualquer. Melhor que seja você. É nisso que eu penso enquanto você arreda as teia de aranha que fizeram casa no centro das minhas coxas e na minha emoção. Pelo menos assim esqueço que você pode estar julgando as estrias na minha bunda agora mesmo.
[...]

Outros já estariam vestidos me chamando um táxi. Você não, quer mudar tudo. Fala coisas que aos poucos transformam minhas expectativas em certezas. Eu achava que sabia a tradução da palavra saudade. Aí vai você e muda tudo.
[…]
Num instante você me olha apaixonado e depois se vira pra janela ficando um pouco fora do ar. Nessa hora me belisco pra não saber do porquê, sem esquecer do dia você me falou que nem toda pergunta requer uma resposta. Mas então não fica assim, não precisa dizer nada, só não me deixe faltar aqueles abraços silenciosos pra calar a boca de quem me mandou ter calma contigo. Agora que eu me perdi, só preciso de você me dizendo que amanhã ainda vou te achar no mesmo lugar, se eu procurar. Eu te quero, na medida do impossível.

Pega no meu queixo e diz que não sou só eu que sinto medo aqui. Faça alguma coisa ruim, qualquer coisa que me impeça imediatamente de sentir esse amor absurdo por você. Estou nas suas mãos e isso não é uma metáfora. Porque eu já não sei mais nada. Parece que sou mesmo seu foco de vida, mas também pode ser que você ande apenas distraído do resto do mundo. Ou, vai que você tá mesmo certo, as coisas são assim mesmo, o amor invade pela boca enquanto a gente se olha e fica rindo. “

(Gabito Nunes) 
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Me desculpem pela falta de palavras no blog, mas acho que realmente nada que eu ande escrevendo (que é quase nada) seja digna de publicação ou de libertação, principalmente. No entanto, quis dividir estas palavras que roubei com vocês.
E se quiserem conferir esse texto e outros, desse autor que me encanta, na íntegra. Clica aqui.

domingo, 8 de abril de 2012

Libertação da Leoa

fonte da imagem: http://weheartit.com/

A minha cabeça continua erguida e agora o coração não é mais mole, bate levando embora todas as impurezas.
As impurezas humanas que tentaram me envenenar.
Fui caindo, caindo, caindo, sem fim. Mergulhei em mim e não achei a praia bonita.
No entanto, mesmo quando caio, ainda me ergo, evoluo.
Escalei o poço com todas as minhas garras e matei a sede com as lágrimas que embasaram a luz da minha alegria. Expulsei todos os demônios que me levam pra baixo.
Saí do poço valsando, fazendo meu sorriso luzir e o olhar mostrar a praia mais encantadora.
Eu voltei. Com toda minha força, minha garra, meu jeito leoa de ser.
A leoa aqui, além de ter garras, cria asas quando renasce.  E vou em busca de vôos muito mais altos, saltando em árvores muito maiores, perdi o medo de altura e, principalmente, o medo da queda.
Agora eu estou aqui, no alto. Enfrentei até o rei da selva e enfrento mais se for preciso. Porque eu sou forte e posso renascer sempre, escalando um poço e resplandecendo na minha alegria.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Presunção de Salvação


Não sei explicar, falta algo no olhar dela. É um vazio tão profundo que eu vejo ali que quase posso mergulhar, posso ver um poço sem corda de salvação em suas pupilas. 

E ela ainda sorri como se tivesse cheia, como se fosse inteira, mas é metade, interrogação e um quase fim. Quando enche, se enche de tudo que dói, corta, rasga, engasga e então, explode.

Não pede ajuda, se engole e se entrega ao próprio abismo. 

Tantos querem encher, ajudar a carregar os quilinhos dela no mundo, tantas cordas no resgate, só que ela sabe que a salvação está nela. Em mais ninguém. 

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