quinta-feira, 14 de junho de 2012

Bem me quer... Te quero bem.


Uma flor e uma pétala solta. Era isto que continha na caixa enfeitada que o moço entregou para aquela moça de olhos cansados.

- Ela está incompleta, uma pétala está solta aqui. – Ela observou tristonha, esperando uma flor inteira.

- Eu sei.  – Deu de ombros com um sorriso tímido. 

Ela colocou a única pétala que faltava na flor na palma da mão e foi em direção ao lixo. 

- Não, não joga fora! – Ele ficou aflito.
- Por quê? 

- “Bem me quer, mal me quer”... Ela foi o “bem me quer”, eu não quis continuar a despedaçá-la e a trouxe pra você nunca esquecer que eu te quero bem.


sexta-feira, 8 de junho de 2012

Aquilo que cala, também assusta.


Alguma coisa mudou. Tem cantinho de silêncio nas nossas conversas. O que antes fluía tão bem, hoje pesa. E eu já não te entendo mais, parece que quanto mais eu luto pra entender, mais nocauteada e machucada saio. Esse silêncio gritando firme, agudo e baixo em cada uma das minhas entranhas. Testando a sua falta em mim, testando a dor que isso causa. Mesmo na sua fala ainda ouço um silêncio rouco, indagador.

Cantinho de silêncio. Ecoando. Escoando.

Tenho medo da enchente, cheia de ruídos, que será quando o seu silêncio resolver ser tempestade.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

O reflexo

Um grito estridente e abafado saiu da boca da menina, pelo reflexo do espelho notou que havia uma pessoa diferente ali. Saiu depressa e assustada do quarto.
- Vem, mãe, corre! – Puxou a mãe pelo braço e as trancou no banheiro.   

 - O que houve?! – a mãe não entendia o tamanho do desespero da menina.

- Alguém entrou aqui em casa! A gente tem que chamar a polícia! – explicou afobada e tremendo.

- Você tá doida, menina. Não tem como ninguém entrar aqui. – destrancou a porta e saiu calmamente.

A menina tentou impedir, mas a mãe foi verificar.

- Cê deve ter tido um pesadelo, não tem ninguém aqui. – viu que estava tudo em ordem e saiu do quarto pensando nas tarefas da casa que precisavam ser finalizadas.

Ainda assustada, a menina voltou até o quarto e observou de canto de olho que ainda havia um reflexo diferente ali. Chamou a polícia, mas eles acharam que ela devia mesmo era chamar um psiquiatra.

 fonte da imagem: https://www.google.com.br/

Ninguém via ou acreditava nela, era como se ela visse um fantasma.  Ela mesma teria que enfrentar a pessoa que estava se escondendo ali.  Foi até a cozinha, seu gato apenas acompanhava cada movimento dela com o olhar, parecia que também estava achando que ela ficara louca, pegou duas facas e foi corajosamente até o quarto. Respirou fundo, deu um impulso e saiu correndo em direção ao espelho gritando como uma guerreira em combate.
Bateu com a faca no espelho e parou, como num choque, ficou paralisada.
E ali, em meio às pequenas rachaduras que se formaram, viu que a mulher era o seu próprio reflexo. Ela enfrentou barreiras, a reconstrução foi dolorosa, mas a renovação se tornou grandiosa. Se encontrou.
Nunca foi tão bom me olhar no espelho, apesar do espanto de como foi tão rápido, me sinto bem, essa era a mudança que queria ver – pensou, com um sorriso largo no rosto.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Silenciando você


Talvez eu fique calada e não diga nada. Aguardando o fim, o abandono e depois permaneça estendida por um tempo até que eu veja algo que me levante de novo.  Mas calada, sem pedir socorro, sem dizer onde dói ou porque dói, só pra continuar mostrando que eu ainda consigo ser auto-suficiente, exalando meu orgulho e covardia.
Ou talvez eu (me)surpreenda e te diga tudo, do inicio ao fim, com detalhes que eu tenho escondido de você há muito tempo. Os detalhes seus que eu gravei tão dentro de mim que podem ter virado uma caixa de pandora, muitos males se encontrando lá. Os males de gostar de uma forma tão intensa de você que pode me abater. Por isso ainda guardo, afinal, acho que nem você esteja preparado pra ouvir o barulho que a caixa vai fazer quando se abrir.
Porque eu tô te querendo cada vez mais e mais, me nutri de cada palavra sua, cada sinal que eu me prometi nunca mais enxergar. Mas agora você está indo cada vez mais longe de mim, todas as maiores chances que eu tinha parecem estar correndo enquanto eu as persigo com o meu caminhar mais lento, já que me falta otimismo pra ser mais rápida.     
E continuo sem te contar nada, fingindo que está tudo bem se você for e me deixar sem ao menos se despedir. Aguardando o fim, vendo você ir. Emudeço. Silencio você em mim. 

 fonte da imagem: http://weheartit.com/