quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Saudade

"A coisa. O que deixa tudo com cara de metade. O que coloca tres pontinhos na última palavra. A coisa que dói e consola simultaneamente, incessantemente. A paz mais triste. O inferno silencioso que ofusca os sons da rua. A coisa. As sobras dum passado. O prato principal da cabeça vazia. A coisa que faz sonhar um pesadelo suportável, mas que não termina quando desperta, porque nunca dorme. Nem morre. A coisa linda que eu quero esquecer. A coisa podre que eu só sei lembrar. A coisa essa que não dá pra alcançar com as mãos, mas vive do meu lado o tempo inteiro. A coisa que vê o que eu não enxergo. A coisa que fala o que ninguém ouve. A coisa que toca e não tem calor, mas arrepia o corpo todo. E que não pesa o lado da cama, mas dorme comigo toda noite. A coisa que existe sem querer. E que quer o que não existe mais. A coisa que quase não tem nome, não fosse a criatividade do brasileiro em inventar pra coisa, uma palavra: Saudade."

(Maria Paula Fraga)


Meu jeito saudoso de ser se apaixonou por isso. Minha alma que é pura saudade do que tive e não tive, gritou. Meu corpo que às vezes trepida de saudade se arrepiou. E todo esse conjunto entitulado "eu" recordou, reviveu nos pensamentos momentos. Lembrei de tudo e de todos, do nada e do tudo. É, senti saudade.

Um comentário:

  1. Maria Paula é foda, véi. Tinham que ser charás, hein! hahaha
    <3

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